E todas as crianças são loucas

O Coronel foi um dos mais notáveis oficiais que este país alguma vez produziu. Uma mente brilhante em todos os aspectos. Um homem humanitário e de bom humor, mas as suas ideias, métodos, tornaram-se... doentios. A empresa escolheu o Capitão e deixou claro: é urgente eliminar o Coronel. Numa epopeia de gente inquieta, numa terra desesperada, confronta-se o mito, projectam-se possibilidades.

Este é o primeiro espectáculo d’As Crianças Loucas.

Criação e interpretação Bruno Ambrósio, Fernão Biu, João Cachola, João Sala, Rodrigo Tomás, Sílvio Vieira e Vicente Wallenstein
Texto João Cachola, inspirado em O Coração de Trevas de Joseph Conrad e Apocalypse Now de Francis Ford Coppola
Música original Fernão Biu e João Sala
Cenário Madalena Wallenstein de Castro
Figurinos Madalena Martins
Desenho de luz Nuno Samora
Operação de luz Diana Santos, Madalena Wallenstein de Castro e Rogério Vale
Produção Mariana Magalhães
Comunicação Henrique Mota Lourenço
Design gráfico Francisco Ferreira
Fotografia de cena Leonor Fonseca
Vídeo António Mendes

1h10 M/16

Uma produção As Crianças Loucas com o apoio de Escola de Mulheres, LARGO Residências, Nelson Oliveira Footwear, ALDO SHOES, Palco13

Agradecimentos aos nossos pais e às nossas mães, a Augusto Fernandes, Catarina Rôlo Salgueiro, Celina Ferreia, Daniela Jácome, Fernanda Lapa, HELL Valade, Inês Barracho, Inês Martinho, Isabel Costa, Joana Dias, João Loureiro Ferreira, João Pedro Mamede, Jorge Golias, Manuela Jorge, Manuela Marques, Mariana Magalhães, Marta Silva, Miguel Taveira, Nelson Oliveira, Nuno Gonçalo Rodrigues, Nuno Samora, Raquel Oliveira, Ruy Malheiro, Sofia Cardim, Sofia Mântua, Teresa Amaral e Tomás Wallenstein

DATAS

11 a 13 de Janeiro de 2019 no Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa
30 de Maio a 3 de Junho de 2018 no CAL — Primeiros Sintomas, Lisboa
1 a 17 de Dezembro de 2017 na Escola de Mulheres — Clube Estefânia, Lisboa
29 de Outubro de 2017 — leitura encenada no LARGO Residências

 

“Tornou-se urgente conquistar um espaço próprio, desligado de pais e mestres — matar a infância, matar a figura de autoridade.”

 

Começámos por tentar perceber o que é que fazia de nós amigos, observámos as características de cada um, e percebemos uma aspiração comum: a necessidade de uma emancipação pessoal e artística, o traçar de um caminho novo e nosso. Revisitámos o filme Apocalypse Now de Francis Ford Copolla e descobrimos o romance Coração de Trevas de Joseph Conrad.

O momento de ruptura começa quando já não encontramos respostas suficientes nos nossos pais, quando fazemos as malas, abrimos a porta de casa, e caminhamos para o futuro – a idade adulta — a que hipocritamente denominaram independência.

Trabalhámos com a manta de retalhos que são as nossas memórias e idiossincrasias. Tornou-se urgente conquistar um espaço próprio, desligado de pais e mestres – matar a infância, matar a figura de autoridade –, atingir a maturação, sem negar as nossas raízes, educação e cultura, sem negar a nossa herança genética.

Para atingir a emancipação sofrem-se perdas, mais tarde observadas como conquistas, e por isso falamos na despedida e na morte. Existe a vontade de perspectivar o tempo e discutir a consciencialização deste, resultado do amadurecimento: a criança observa o tempo com um relógio diferente, com a particular inocência da idade, que se perde, consumida pela inserção no sistema.

Como consequência, a peça divide-se em duas camadas: na primeira, sem recorrer a artifícios, os intérpretes expõem as suas inquietações no momento presente, discorrem sobre os seus pensamentos e ideais, são rockstars de andar por casa, e estrelas do seu próprio reality show; na segunda, cria-se uma realidade alternativa, longe das utopias, em estado de guerra, onde o tempo/duração é relativo, onde os intérpretes são marinheiros que navegam para um futuro vago e instável, uma personificação dos seus desassossegos que serve de metáfora para o trabalho de actor.

Como jovens actores as oportunidades de trabalho tendem a ser escassas, assim como as condições para a criação, que são limitadas quando observadas no âmbito económico, político e humanitário. O objectivo não é dar a volta à situação, mas sim enfrentar a mesma e transformá-la em arte, segundo as nossas possibilidades, através da palavra, imagem e som, trabalhados a pensar na ideia de continuidade. É obrigatória a confirmação de uma linguagem artística, irreverente e própria.

 
Anterior
Anterior

Noite louca d'As Crianças Loucas